Taxa da máquina de cartão: como calcular quanto sua empresa realmente perde em cada venda?

 


A máquina de cartão se tornou praticamente indispensável para muitas empresas. Ela facilita o pagamento, permite vender no débito, crédito e parcelado e pode ajudar o negócio a não perder vendas por falta de opções de pagamento.

Mas existe um detalhe que muitos empresários acabam deixando de lado: cada venda realizada no cartão pode gerar um custo para a empresa.

Quando esse custo não é considerado corretamente, o empresário pode olhar para o faturamento e acreditar que está vendendo bem, enquanto sua margem de lucro está sendo reduzida pelas taxas da operadora, antecipação de recebíveis e outros custos relacionados aos pagamentos.

Por isso, saber calcular a taxa da máquina de cartão não é apenas uma questão financeira. É uma parte importante da gestão empresarial e da formação do preço de venda.

O Sebrae, inclusive, considera a taxa de cartão um dos componentes que podem entrar na formação do preço de venda. (Sebrae)

Neste artigo, você vai entender como calcular a taxa da máquina de cartão, quanto sua empresa realmente recebe em uma venda e como descobrir o impacto dessas taxas no lucro do negócio.


O que é a taxa da máquina de cartão?

A chamada taxa da máquina de cartão é um percentual descontado do valor da venda pela empresa responsável pelo serviço de pagamento.

Ela pode variar conforme diversos fatores, como:

  • modalidade da venda;
  • débito ou crédito;
  • número de parcelas;
  • prazo para recebimento;
  • empresa contratada;
  • volume de vendas;
  • negociação comercial;
  • utilização ou não da antecipação de recebíveis.

O Sebrae explica que a taxa de administração é cobrada sobre o valor da venda realizada no cartão e que o percentual pode variar entre as credenciadoras. (Sebrae)

Por isso, não existe uma única taxa que sirva para todas as empresas.

Uma empresa pode, por exemplo, pagar 1,5% no débito, enquanto outra pode ter uma condição diferente. No crédito à vista e principalmente no parcelado, os percentuais também podem mudar.

Além da taxa da venda, algumas empresas podem ter outros custos, como aluguel da máquina ou custos relacionados à antecipação de recebíveis.


Como calcular quanto a máquina desconta da sua venda?

O cálculo básico é bastante simples.

Fórmula:

Valor da taxa = Valor da venda × percentual da taxa ÷ 100

Imagine que sua empresa realizou uma venda de:

R$ 1.000,00

E a taxa cobrada pela máquina é:

3%

O cálculo será:

R$ 1.000 × 3% = R$ 30

Portanto:

Valor da venda: R$ 1.000
Taxa da máquina: R$ 30
Valor líquido recebido: R$ 970

Nesse exemplo, a empresa não ficará com os R$ 1.000 da venda.

Ela receberá R$ 970, considerando apenas essa taxa.

Parece pouco quando analisamos uma única venda. O problema aparece quando fazemos o cálculo sobre o faturamento acumulado do mês.


Quanto sua empresa perde com a máquina de cartão por mês?

Vamos imaginar uma pequena empresa que realiza R$ 30.000 em vendas no cartão durante o mês.

Suponha uma taxa média de 3%.

O cálculo será:

R$ 30.000 × 3% = R$ 900

Nesse cenário, a empresa terá:

R$ 30.000 em vendas
R$ 900 de taxas
R$ 29.100 líquidos

Ou seja, R$ 900 deixaram de entrar no caixa por causa da taxa considerada no exemplo.

E isso é importante para a gestão porque o empresário pode olhar para o faturamento de R$ 30 mil e não perceber que uma parcela desse valor já foi consumida pelo custo de receber através do cartão.

Agora imagine esse mesmo cenário durante um ano:

R$ 900 × 12 meses = R$ 10.800

São R$ 10.800 por ano em taxas nesse exemplo.

Isso não significa que a empresa deva deixar de aceitar cartões. Pelo contrário. Para muitos negócios, aceitar cartão é fundamental para realizar vendas.

A questão é conhecer o custo e incluí-lo corretamente na gestão financeira.


A taxa da máquina pode reduzir sua margem de lucro

Esse talvez seja o ponto mais importante.

Imagine uma loja que compra determinado produto por R$ 70 e vende por R$ 100.

À primeira vista:

Venda: R$ 100
Custo do produto: R$ 70
Diferença: R$ 30

O empresário poderia pensar:

“Estou ganhando R$ 30 nessa venda.”

Mas suponha que a venda seja realizada no cartão com uma taxa de 4%.

A taxa será:

R$ 100 × 4% = R$ 4

Agora temos:

Venda: R$ 100
Custo do produto: R$ 70
Taxa do cartão: R$ 4

Sobra:

R$ 26

E ainda precisamos considerar outros custos da empresa, como impostos, comissão, frete, despesas fixas e demais gastos envolvidos na operação.

Portanto, dizer simplesmente que a empresa “ganhou R$ 30” seria uma análise incompleta.

É justamente por isso que a taxa do cartão precisa entrar na análise financeira da empresa.

O Sebrae destaca que o preço de venda precisa considerar custos, despesas variáveis e fixas e gerar uma margem de lucro adequada. (Meu Atendimento Sebrae)


E quando a venda é parcelada?

No parcelamento, a atenção precisa ser ainda maior.

Uma venda de R$ 1.200 em 12 parcelas de R$ 100, por exemplo, não deve ser analisada apenas pelo valor total que aparece para o cliente.

Dependendo das condições contratadas, a empresa pode ter uma taxa diferente para o parcelamento e ainda poderá existir custo caso opte por antecipar os recebíveis.

O Banco Central explica que a taxa de desconto pode variar de acordo com as características da operação e que, em vendas parceladas, a taxa pode aumentar conforme o número de parcelas. (Banco Central)

Por isso, antes de oferecer muitas parcelas sem juros, o empresário precisa saber:

Quanto realmente vai receber?

Essa é uma pergunta muito mais importante do que simplesmente:

“Quanto o cliente vai pagar?”


Antecipação de recebíveis também tem custo

Outro ponto que costuma passar despercebido é a antecipação de recebíveis.

Imagine que sua empresa vendeu R$ 10.000 no cartão de crédito parcelado, mas não quer esperar os recebimentos futuros.

Ela pode contratar uma antecipação, quando disponível, para receber esse dinheiro antes do prazo normal.

O problema é que essa antecipação também pode ter um custo.

O Sebrae explica que a antecipação de recebíveis possui uma taxa percentual e recomenda analisar essa alternativa de acordo com a necessidade de capital de giro da empresa. (Meu Atendimento Sebrae)

Por isso, uma venda pode envolver mais de um custo.

Por exemplo:

Venda: R$ 1.000
Taxa da operação: R$ 30
Custo de antecipação: R$ 20

Nesse exemplo simplificado, o valor líquido seria:

R$ 950

É por isso que o empresário deve olhar o valor líquido recebido, e não apenas o valor bruto vendido.


Como descobrir a taxa efetiva que sua empresa está pagando?

Uma forma simples de acompanhar isso é pegar o relatório de vendas da máquina e comparar o valor bruto das vendas com o valor líquido recebido.

Por exemplo:

InformaçãoValor
Vendas no cartãoR$ 20.000
Valor líquido recebidoR$ 19.400
DiferençaR$ 600

Agora podemos calcular:

R$ 600 ÷ R$ 20.000 × 100 = 3%

Nesse exemplo, a empresa teve um custo efetivo de 3% sobre as vendas analisadas.

Esse acompanhamento é interessante porque permite descobrir se a taxa que aparece no contrato realmente corresponde ao custo que está sendo observado na operação.

Também ajuda o empresário a comparar diferentes máquinas e condições comerciais.


Não escolha uma máquina apenas pela menor taxa

Esse é outro erro comum.

Uma empresa pode encontrar uma máquina anunciando uma taxa aparentemente muito baixa e concluir imediatamente que aquela é a melhor opção.

Mas a decisão deveria considerar o custo total da operação.

É preciso observar:

Taxa no débito + taxa no crédito + parcelamento + antecipação + aluguel ou mensalidade + prazo para receber + outras condições.

Uma máquina com uma taxa um pouco maior pode eventualmente apresentar uma condição comercial mais interessante para determinado negócio, dependendo do volume de vendas e do prazo de recebimento.

Por isso, o ideal é comparar o custo efetivo para a realidade da empresa, e não apenas uma porcentagem anunciada.


Como reduzir o impacto das taxas no seu negócio?

A primeira medida é conhecer o quanto sua empresa realmente paga.

Depois disso, é possível avaliar as condições contratadas e verificar se existe espaço para negociação.

Uma empresa que movimenta um volume significativo de vendas pode ter maior poder de negociação com a credenciadora.

Também vale acompanhar o percentual das vendas realizadas em cada modalidade.

Imagine:

  • 20% no débito;
  • 30% no crédito à vista;
  • 50% no crédito parcelado.

Nesse caso, olhar apenas para a taxa do débito não ajudará muito.

A empresa precisa entender qual modalidade representa a maior parte do seu faturamento.

Outra medida importante é evitar a antecipação de recebíveis como solução permanente para problemas de caixa.

Se a empresa precisa antecipar vendas todos os meses apenas para conseguir pagar suas despesas, talvez exista um problema maior de capital de giro ou fluxo de caixa que precisa ser analisado.


A taxa do cartão deve entrar no preço de venda?

Em muitos negócios, sim.

A taxa do cartão é uma despesa variável relacionada à venda e pode ser considerada na formação do preço.

O próprio material do Sebrae sobre formação de preço apresenta a comissão/taxa de cartão entre os componentes que podem ser considerados na composição do preço de venda. (Sebrae)

Imagine que uma empresa queira vender determinado produto por R$ 100 e sabe que uma parcela significativa das vendas ocorre no cartão.

Se a empresa simplesmente ignora a taxa, poderá descobrir posteriormente que a margem real ficou menor do que esperava.

Isso não significa necessariamente aumentar o preço indiscriminadamente.

O empresário precisa considerar também concorrência, mercado, custos, margem desejada e comportamento do consumidor. O Sebrae recomenda justamente equilibrar os aspectos financeiros internos com as condições do mercado. (Meu Atendimento Sebrae)


Exemplo completo: quanto sobra de uma venda de R$ 500?

Vamos fazer um exemplo mais próximo da realidade de uma pequena empresa.

Imagine uma venda de:

R$ 500

Taxa da máquina:

3,5%

1. Calculando a taxa

R$ 500 × 3,5% = R$ 17,50

2. Valor líquido

R$ 500 − R$ 17,50 = R$ 482,50

Portanto, a empresa recebe:

R$ 482,50

Agora imagine que o produto vendido custou R$ 300 para a empresa.

Temos:

R$ 482,50 − R$ 300 = R$ 182,50

Essa é a margem antes de considerar outros custos e despesas relacionados à operação.

Se ainda existirem impostos, comissão, frete e outros custos, o resultado será menor.

Perceba como simplesmente olhar para:

R$ 500 de venda − R$ 300 de custo = R$ 200

pode dar uma visão equivocada.

A taxa da máquina já reduziu esse valor para R$ 182,50, antes dos demais gastos.


O que o empresário deve acompanhar todos os meses?

Uma boa gestão não precisa ser complicada.

Todos os meses, vale acompanhar pelo menos:

1. Quanto foi vendido no cartão

2. Quanto foi descontado em taxas

3. Quanto foi antecipado

4. Quanto custou a antecipação

5. Quanto realmente entrou no caixa

6. Qual foi a margem de contribuição das vendas

Com essas informações, fica muito mais fácil saber se a empresa está realmente ganhando dinheiro ou apenas movimentando um volume elevado de vendas.

A máquina de cartão é uma ferramenta importante para vender, mas venda não é sinônimo de lucro.

Esse princípio é fundamental para qualquer empresário.


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FAQ: dúvidas sobre taxa de máquina de cartão

A taxa da máquina é descontada diretamente da venda?

Normalmente, sim. A credenciadora desconta a taxa conforme as condições contratadas e o estabelecimento recebe o valor líquido da operação. O formato e o prazo dependem do contrato e da modalidade da venda. (Sebrae)

Como calcular 3% de uma venda de R$ 1.000?

Basta multiplicar:

R$ 1.000 × 3% = R$ 30

Nesse exemplo, considerando apenas essa taxa, o valor líquido seria R$ 970.

A antecipação de recebíveis é a mesma coisa que a taxa da máquina?

Não. A taxa da venda é um custo relacionado à realização da operação com cartão. A antecipação de recebíveis é outro serviço, utilizado para receber antecipadamente valores que seriam recebidos futuramente, e pode ter uma cobrança adicional. (Meu Atendimento Sebrae)

A taxa da máquina deve ser considerada no preço do produto?

Ela pode ser considerada como parte das despesas variáveis na formação do preço. O percentual adequado depende da realidade da empresa e deve ser analisado junto com os demais custos, despesas, margem desejada e condições do mercado. (Sebrae)

Como saber se estou pagando caro pela máquina?

Compare o custo efetivo das suas vendas, considerando débito, crédito, parcelamento, antecipação e eventuais custos fixos. Também vale comparar as condições oferecidas por diferentes empresas.


Conclusão

A taxa da máquina de cartão pode parecer pequena quando analisamos uma única venda, mas pode representar um valor significativo quando calculada sobre todo o faturamento da empresa.

Uma taxa de 3% sobre R$ 1.000 representa R$ 30. Sobre R$ 30 mil em vendas, representa R$ 900. Ao longo de um ano, a diferença pode chegar a milhares de reais.

Por isso, o empresário não deve olhar apenas para o faturamento bruto. É fundamental acompanhar quanto foi vendido, quanto foi descontado e quanto realmente entrou no caixa.

Mais importante ainda: as taxas de cartão precisam fazer parte da gestão financeira e da formação do preço de venda.

No final, a pergunta não deve ser apenas:

“Quanto minha empresa vendeu?”

Mas também:

“Quanto realmente sobrou depois de todos os custos?”

Essa diferença entre faturamento e resultado é uma das bases para uma gestão empresarial mais saudável.


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